Vorcaro financiou filme de Lula em troca de acesso a fundos, diz revista

 De acordo com a “Veja”, ex-banqueiro afirmou em proposta de delação à PGR que pagamentos foram feitos em dinheiro vivo ao Instituto Lula, que negou; campanha do petista disse não haver provas e chamou a reportagem de “irresponsável”




O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou em proposta de delação apresentada à Procuradoria Geral da República que pagou R$ 30 milhões ao Instituto Lula para ajudar a financiar um filme do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em troca, o ex-banqueiro tentou acessar fundos de pensão controlados por petistas. O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto intermediou as negociações. As informações são do jornalista Robson Bonin, da Veja.


Segundo a reportagem, a PGR não avançou com a proposta de Vorcaro. A revista Veja afirma que a Procuradoria alegou que não havia provas, já que os pagamentos ao Instituto Lula foram feitos em dinheiro vivo.


A PGR afirmou em nota que as negociações para uma colaboração de Vorcaro “foram sempre mediadas por advogados contratados pelo investigado” e que não houve “depoimento oral” ou “qualquer intermediação direta” do ex-banqueiro com representantes da Procuradoria (leia a íntegra mais abaixo).


Em nota, a campanha de Lula se manifestou nesta 6ª feira (9.out.2026). Disse ser “estarrecedor” que a revista publique uma reportagem com “acusações gravíssimas sem apresentar uma única prova”. Chamou o texto de “irresponsável” (leia a íntegra mais abaixo).


De acordo com a Veja, Vorcaro afirmou à PGR que para que ele tivesse seu credenciamento aprovado junto aos fundos de pensão do Banco do Brasil, Caixa Asset e Previ, deveria fazer um pagamento em dinheiro de “aproximadamente R$ 30 milhões para cobrir despesas de um documentário no exterior que estava sendo gravado sobre o Lula, e pagamento de valores ao Instituto Lula”.


O filme é “Lula” (2024). dirigido por Oliver Stone.


A reportagem afirma que, segundo o fundador do Master, Vaccari exigiu uma taxa de 10% de tudo o que o Master captasse junto aos fundos. A expectativa era que, se a operação desse certo, o PT conseguiria R$ 1 bilhão e o então banqueiro, R$ 9 bilhões.


Não há detalhes sobre se essa operação avançou ou não.


A Veja também divulgou um áudio que diz ser de Vorcaro. Uma voz masculina afirma que houve um adiantamento feito por Augusto Lima para Paulo Okamotto, do Instituto Lula, e que o pagamento foi “errado”.


“O filme do Lula eu coloquei acho que até mais, só que o do Lula foi por fora. Do Lula foi errado. Do Flávio [Bolsonaro] não foi porque ele pediu patrocínio”, diz a voz que é atribuída ao fundador do Master pela revista.


O áudio é apresentado como um arquivo obtido pela Veja. A revista, contudo, não dá detalhes sobre a data em que o áudio foi produzido, as circunstâncias em que foi feita essa gravação nem se havia sido autorizada pelo fundador do Master.


Em áudio, Daniel Vorcaro descreve reação de investigador da PGR ao ouvir sobre Lula





 áudios e documentos em que Daniel Vorcaro relata ter dado 30 milhões de reais em dinheiro vivo para um filme sobre Lula e também repassado quantias para o Instituto Lula.

A gravação do banqueiro e o relato levado por defensores dele até a PGR, provocaram forte comoção no meio político e diferentes reações dos interlocutores envolvidos na investigação. VEJA revela agora um outro trecho da gravação em que Vorcaro relata ao interlocutor a reação de “Ubiratan”, o auxiliar de Paulo Gonet na PGR, quando as acusações contra Lula foram apresentadas pelo advogado do banqueiro numa reunião na Procuradoria. Ouça:




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“Quando coloquei o Okamotto pra cá (na proposta de delação), na primeira vez que levei (por meio dos advogados) na PGR, ele (Ubiratan, braço-direito de Paulo Gonet) falou: ‘pelo amor de Deus, cê não tem nada disso aqui não’. Isso aqui é só… E aí eles usavam o argumento que é o seguinte: ‘isso aqui foi em dinheiro, não consegue provar você tira tudo.’ Eles já saíram na largada assim”, diz Vorcaro.

O nome de Ubiratan é citado ao final dessa gravação, mas o trecho foi cortado por VEJA para preservar a identidade do interlocutor do banqueiro que cita o investigador.

A PGR, por meio de nota, disse que “as tratativas de colaboração premiada envolvendo Daniel Vorcaro foram sempre mediadas por advogados contratados pelo investigado” e que “todas as propostas formalizadas pela defesa foram recebidas na forma como livremente elaboradas por ela, sem juízo nem recusas prévias”.

A Polícia Federal também divulgou nota dizendo que Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações” sobre o tema da reportagem. A reportagem de VEJA nunca mencionou que os áudios e documentos foram apresentados à Polícia Federa.

A defesa de Daniel Vorcaro, por sua vez, confirmou que o dono do Banco Master “possui informações personalíssimas e relevantes para o caso e segue disponível para contribuir com as autoridades”. Em outras palavras, pode relatar tudo que foi publicado por VEJA.

A desinformação é uma forma de tirar o foco de fatos importantes quando o contexto da mensagem é de difícil explicação ou comprovação por pessoas citadas. É o caso em questão.

O suposto depoimento de Vorcaro para a PF foi uma invenção da campanha do presidente Lula, uma informação que não consta na reportagem de VEJA, e que foi desmentida pela defesa do banqueiro porque não ocorreu, de fato.

VEJA, da mesma forma, não afirmou que Vorcaro foi pessoalmente falar “em primeira pessoa” com a PGR nem entrou em detalhes sobre a forma como a história envolvendo Lula foi contada aos investigadores pela defesa do banqueiro.

Os relatos sobre tudo isso estão em áudios obtidos por VEJA com fontes próximas ao banqueiro que acompanharam todos os passos desde o início da saga de Vorcaro para conseguir delatar na PGR ou na Polícia Federal – as identidades são preservadas para evitar que essas fontes, já sob forte ameaça, sofram retaliações

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